Dentro da minha lógica sigo a minha ética!

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Thomaz

sábado, 2 de janeiro de 2010

Terceiro Ato - Direitos Homoafetivos


"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma." G. Thomaz

-"Encontrado bebe na lixeira em favela do Morro Grande no Rio de Janeiro"
Revista Época Setembro/2009

É simples criticarmos pessoas como esta que fez tal barbaridade no Rio de Janeiro. Quais as desculpas usadas? Qual o tabu mais comum? Dizemos que são pessoas de baixo nível de educação, sem instrução sexual, com restrição à informações de saúde, higiene entre outras. Pessoas que moram em localidades precárias, pode-se dizer que é um pedaço do solo abençoado do Brasil que Deus simplesmente se esqueceu de cuidar e amparar.
Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai até a Montanha. Qual a desculpa para não buscar informações sobre sexo seguro, não levando em conta sua opção sexual... Mães, mulheres heterossexuais jogando crianças fora como se fosse apenas um objecto, sem luxo, sem amor e fazem sem rancor, sem dó e sem piedade.
Lendo a matéria da Revista Época, pensei em instantes no meu DIREITO HOMOAFETIVO. Eu tenho direitos, não tenho? - Não, não tem! Os direitos afectivos ficam para aqueles que possuem um relacionamento estável acima de 7 meses (perante a nova lei), para aqueles que possuem um lar, onde possam amparar e cuidar da vida de uma criança, para aqueles que possuem uma renda estável compatível com o exigido para manter um lar, um parceiro e uma criança e suas necessidades básicas, como educação, alimentação, bem estar, ambiente seguro, amor e carinho.
Fica então a minha afirmação para vocês!
Eu tenho tudo isso, e minha parceira também. Temos um ambiente pronto para receber uma criança, temos renda compativel com o exigito pela lei, temos ambiente seguro, podemos oferecer do bom e do melhor para uma criança, como educação, lar, alimenteção, informação e é claro temos muito amor e carinho. Quantos casais gays possuem isso?! Vários! E porque é tão complicado o nosso acesso a essa possibilidade de adoção?! Porque fazem "vista grossa" quando entra no tribunal um pedido de casamento homossexual ou um pedido de adoção entre "mães"? Estamos prontas e muito bem preparadas para receber um anjo em nosso lar.
Em São Paulo houve até hoje, no máximo 5 casos de adoção entre homossexuais. Enquanto heterossexuais de diversos padrões de vida, desprezam as crianças ou se livram delas como o ocorrido no Rio de Janeiro.

Fica então a minha deixa para vocês refletirem...

Carla e Michele anunciaram à escrivã do cartório de registro civil, em Blumenau: “Somos casadas, nossos filhos foram gerados por inseminação artificial e queremos registrá-los no nosso nome”. A mulher perguntou quem era o pai.. Michele respondeu: “Eles não têm pai. Têm a mim”. A escrivã afirmou que só poderia registrar em nome da mãe biológica. “Nós vamos tentar na Justiça, então”, disse Carla. A escrivã retrucou: “Podem tentar, o máximo que vão conseguir é um não”.

Em 12 de dezembro de 2008, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, disse “sim”. Em 14 de maio, foi determinada a alteração da certidão de nascimento dos gêmeos. Joaquim Amandio e Maria Clara Cumiotto Kamers são agora filhos de Carla Cumiotto e Michele Kamers e seus avós são Alcides e Clara Cumiotto e Jaime e Maria Kamers.
Revista Veja Dezembro/2009

Eu escolhi minha parceira e minha parceira me escolheu, vamos fazer o que for necessario para provar o quanto estamos adepitas a ideia, o desejo ea vontade de ter uma fámilia.
Vamos gerar uma criança com meu ovúlo no ventre dela com o semêm do banco brasileiro de semêm, vamos registrar essa criança com nossos sobrenomes e também iremos receber um "sim" do juiz.

Thomaz




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Segundo Ato

Quero direitos humanos fazendo pensar nos pilares de uma nova era!!

Quem quer novos direitos humanos coloquem o dedo aqui, que já vai fechar!
Eu quero novos direitos humanos, e quero já!
Olha que coisa mais engraçada ¬¬º
Em Setembro de 2009 fui viajar para Espanha. Tenho um amigo que nasceu e morou lá a muitos
anos, ele tem mais de 40 anos, respira o mesmo ar que o meu, come as mesmas comidas, dorme debaixo do mesmo céu, trabalha no mesmo ambiente que o meu, só com um pequeno diferencial, ele gosta de homens e eu de mulheres.
Antes de seguir viajem com minha namorada, perguntei o que eu poderia fazer lá, quais lugares frequentar, como me portar lá...-"Posso andar de mão dadas?", " Posso beija-la em público?"...
Depois que ele respondeu as perguntas básicas de turismo, ele foi bem prestimoso em responder as duas ultimas perguntas minha!
-" Não, lá ninguém aceita que você beije ou ande de mão dadas com sua namorada em público"...
Achei isso um absurdo no começo, só que o pior estava por vir, o irmão dele entrou na cozinha, eu o comprimente com toda educação e refiz as duas perguntas para o irmão dele... Ele simplesmente fechou a cara, e respondeu.-" Se você fizer isso lá, é capaz que te matem em praça pública na frente de todos inclusive da sua namorada"...Ele terminou de tomar um café amargo e gelado e foi embora. Fui viajar, me portei como me porto aqui no Brasil, é por isso que não tenho nenhum bala na minha cabeça e não fui morta em praça pública em Barcelona e Madrid.
Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim... Um absurdo ouvir isso da boca de um Espanhol nojento. Quer dizer que no Brasil a gente pode fazer a festa do Oba Oba? Esse Fulano que trabalha comigo, veio para o Brasil com o Beltrano que conheceu em Barcelona porque lá na terrinha natal deles eles não podem circular livremente como nós, os homossexuais do Brasil, lá eles não tem a tal "liberdade de expressão", aqui eles podem até falar para mim Brasileira legitima de carteirinha que se eu pisar no país deles vou ser morta por ser lésbica e demonstrar afeto por outro ser humano do mesmo sexo que o meu...

Quero pensar nos pilares de uma nova era!!!
Se no Brasil podemos tudo, podemos impor mais respeito, mais dignidade, mais igualdade social,
igualdade racial e podemos impor nossa opção sexual sim... PENSAR NO PILARES NÃO ADIANTA MAIS, É PRECISO COMEÇAR A CONSTRUIR NOVOS PILARES PARA UMA NOVA ERA!

Primeiro Ato - Quer Me Revelar



Quer me revelar, é só mais um espaço para nós lésbicas ou bissexuais trocarmos ideias, informações, tirar dúvidas, falar do coração, contar algo de bom entre outros sentimentos...

Vou começar falando de mim mesma, vou usar apenas meu sobrenome para manter a minha imagem.



PRIMEIRO ATO 01/01/2010

Sou Thomaz, tenho 20 anos, libriana, moro com meus pais em São Paulo, sou lésbica e curso Direito.

Quando tinha mais ou menos 16 anos pois é apenas uma vaga lembrança, estava saindo de férias no meio do ano no colégio, namorava uma garota de 13 anos, e decidi contar a verdade para meus pais, é claro que 99,9% dos pais não aceitam e com os meus não poderia ser diferente. Minha mãe tirou meu celular, não me deixou voltar para o colégio durante 3 meses, ficou 8 meses sem falar comigo morando em baixo do mesmo teto, meu pai ficou horas deitado no sofá sem dizer uma palavra e quando finalmente tentou falar, usou essa expressão que nunca mais vou esquecer - " Você acabou de jogar sua família dentro de um balde cheio de merda" - sinceramente nunca parei para pensar no que poderia acontecer com eles ou comigo, sempre pensei só em mim, na minha felicidade, mas convenhamos, o que saber sobre felicidade ou sobre nós aos 15 ou 16 anos? Nunca dei desgosto à eles, nunca havia bebido de cair no chão, nunca usei drogas, sempre fui a melhor no colégio, adorava falar com todos, expor a minha opinião, era corajosa, era uma época que eu tinha vontade de viver.
Foi humilhante o que aconteceu no meu lar. Ficar com meninas sempre me fez ser a melhor, era apenas uma competição ou um jogo de conquista, funcionava assim:
Entrava uma garota nova, alguma de nós era preciso fazer amizade com ela, para ver se despertava o interesse, ninguém percebia o que estava acontecendo muito menos a caloura. Era apenas interesse no calor, no beijo, no sexo com meninas mulheres...
Porque que vivo assim?
Vivo assim porque amo o toque da mulher, da menina inexperiente, o beijo molhado e apaixonado que só elas sabem oferecer, gosto dos carinhos delicados, dos olhares que me tiram a atenção, gosto da batida acelerado do meu coração quando me deito com uma e por último porém não menos importante, gosto do gemido abafado e eufórico, gosto de escutar o som delicado saindo da garganta delas.
Sou feminina, tenho cabelos e olhos negros, corpo que o brasileiro gosta, não sou rotulável, adoro fazer amizades, gosto de sair, confesso que já gostei mais de baladas, gosto de shows, músicas, leitura para mim mesma, filmes, documentários, confesso que sou escrava do meu celular e do meu notebook, gosto de escrever, gosto que me escutem, odeio ler para os outros, gosto dos meus pensamentos do meu quarto, do cheiro do perfume da minha namorada, das roupas que ela usa, também feminina, sempre falo que um dia vou ser tudo o que ela representa hoje para mim.

Já namorei homens, já me apaixonei perdidamente por um deles, apenas um... Não venham vocês, dizendo que sou "LÉSBICA" porque tive um descaso amoroso na vida, rsrsrs, está bem claro porque gosto mais delas do que deles. Quem sabe um dia não conto como tudo começou... Mas não hoje!

Meu propósito aqui é outro, é mostrar para o mundo como temos sensibilidade, amor para dar, amor para receber, como podemos aprender sempre mais e mais a cada dia, rebaixar essas rotulações que nos colocam, como aberrações ou promiscuidade...


Te convido para participar do SEGUNDO ATO....